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quinta-feira, 15 de maio de 2014

COPA DE 2014: UM LEGADO OU DESPERDÍCIO DE DINHEIRO PÚBLICO

ARTIGO PULICADO NA REVISTA "BAHIA NORTE" ANO VIII  - Nº 68

O Brasil é um país sui generis em seus devaneios de grandezas e resultados econômicos falaciosos, sendo um exemplo recente a Copa de 2014 que patrocinaremos, não sei, a troco de que.

Desde que o País se predispôs a sediar o atual mundial de futebol, um clima de euforia e de orgulho ufanista, tomou conta das autoridades governamentais, para demonstrar ao resto do mundo nossa capacidade de levar em frente um projeto dessa natureza.

O governo da União faz apologia sobre os ganhos econômicos e estruturantes advindos do evento, para justificar sua captação, a exemplo da geração de empregos com a construção e reformas dos estádios, estruturas periféricas, obras de mobilidade, requalificação urbana no entorno dos locais dos jogos, entre outros. 

Não se discute que, durante a preparação das estruturas haverá algum tipo de fervilhamento econômico, mas de forma temporária, pois ao fim da Copa o que restará em termos de legado para o contribuinte? Os estádios?  à ocupação dos hotéis? De resto, tudo votará a realidade de sempre, menos os recursos públicos jogados ao ralo da inutilidade.

Se nossos hospitais públicos são indignos em atenderem e preservarem a vida do cidadão; se nossas estradas se tornam assassinas pela manutenção falha; se nossas escolas não educam nossos jovens como deveriam; se somos recordistas em violência urbana e no campo, com alguns de nossas cidades liderando a lista mundial de homicídios, inclusive Salvador; se nossa justiça passa décadas para julgar um processo; então para que copa?

O governo alardeia que o erário não arcará sozinho com as obras, pois haverá a maior contrapartida de recursos do setor privado, canalizados através de parcerias; meia verdade, pois a responsabilidade e coordenação do evento caberão ao setor público e diante de atrasos nos cronogramas e ajustes nas planilhas de custos, o que irá custear é o dinheiro do contribuinte.

A ausência de transparência e o crescimento geométrico nos gastos públicos da COPA de 2014 é outro fator preocupante, cifras que devem atingir o patamar de R$ 30 BILHÕES. Na Bahia foi criada uma secretaria de estado a SECOPA com a função de coordenar e promover o evento. Uma estrutura desta implica em gastos com cargos comissionados e outras despesas de custeios, que poderiam ser aplicadas em atividade mais meritórias.

Uma incógnita que paira no ar se refere à ocorrência de pretensos protestos contra a COPA, nas cidades sedes, como também a intensidade e dimensão dos mesmos. Essa perspectiva tem levado a inúmeras desistências de reservas hoteleiras, cujo termômetro é a queda de 52% no valor das diárias dos hotéis na cidade do Rio de Janeiro, e 34% em São Paulo e Salvador.

Outro aspecto a salientar, é a ingerência da FIFA, num país soberano, não respeitando a nossa cultura, através de imposições de padrões alienígenas, submetendo o governo aos dogmas da entidade e não as necessidades do país. Na Bahia, por exemplo, tiveram a audácia de tentar proibir a venda de acarajé um quitute tradicional da culinária baiana, além de cercear o ir e vir da população nas cercanias dos estádios nos dias de jogos.


Em um país civilizado a modernização de suas estruturas e serviços públicos, não estão atrelados a um único evento esportivo, mas se trabalha continuamente para atender as necessidades prioritárias do cidadão.


JOSEMAR